1# EDITORIAL 18.3.15

AS FABULAES DE DILMA"
 Carlos Jos Marques, diretor editorial 

Panelaos nos edifcios, buzinaos nos carros, vaias em evento pblico, protestos nas ruas. A mandatria j no consegue colocar o p fora do Planalto ou proferir um discurso em cadeia nacional sem riscos de enfrentar a insatisfao geral e ouvir apupos. Isso com pouco mais de dois meses de governo. Dilma est refm do prprio cargo por conta de erros e equvocos que comete a toda hora, sem trgua. A mobilizao contra ela  para alm dos escndalos, do desempenho ralo na economia e na poltica  encontra motivos claros na prpria personalidade de Dilma. A sua inabilidade gerencial, soberba e falta de sensibilidade para o dilogo com os vrios segmentos da sociedade vm minando todo e qualquer capital de apoio que ainda lhe resta para continuar governando. Medies recentes de pesquisas de opinio mostram que a popularidade da presidente recua aceleradamente e j chega  casa de um dgito. Isso aps ter cado pela metade, de 42% em dezembro para 23% em fevereiro ltimo. Sua fala  Nao no domingo passado, por ocasio do Dia da Mulher, significou nada menos que um rotundo fracasso. A repercusso foi a pior possvel. E deu combustvel s crticas, fundamentalmente pelo arsenal de fabulaes e lorotas que apresentou para explicar a situao do Pas. Repetindo o discurso de campanha, Dilma culpou a crise internacional pelas dificuldades. Distorceu a realidade que  a de uma recuperao gradual dos EUA, Europa e sia, enquanto o Brasil amarga a estagnao que o coloca na rabeira do crescimento econmico global. Na sua verso dos fatos, o descontrole dos gastos pblicos, a disparada da inflao, o tarifao de energia e combustveis (e mesmo o propinoduto de bilhes que sangrou a Petrobras) foram calculadamente omitidos para dourar o quadro que no  to ruim assim, nas suas palavras. Ela pediu pacincia aos cidados pelos sacrifcios, mas foi incapaz de acenar com gestos de austeridade como o da eliminao de parte do seu fabuloso squito de 39 ministrios com os respectivos apaniguados e custos vultosos. Ao ofender o senso comum, elevou o grau de irritao dos brasileiros. Deixou de fazer o essencial: assumir as falhas e pedir desculpas como, alis, aconselhou o prprio tutor Lula. Dilma do segundo mandato fez o que disse que no faria (do aumento expressivo da energia  remarcao dos juros), descumpriu o que prometeu em campanha (no mexer nos direitos do trabalhador) e ainda tentou abrandar o tamanho das dificuldades, taxando de passageiras medidas que devem se prorrogar por um bom tempo. Apostou na desinformao e na falta de memria do eleitor. Errou de novo. A persistncia em negar o que o brasileiro sente no bolso e percebe no dia a dia s no  maior que o velho e surrado discurso do golpismo para desacreditar manifestaes, de mais a mais, legtimas. Seus assessores prximos no cansam de interpretar como manobra das elites em prol de um terceiro turno qualquer reao contrria  presidente. A retrica petista de um movimento restrito e orquestrado pela oposio est completamente fora de contexto. O mesmo PT que  capaz de convocar servidores pblicos e militantes, pagando transporte e comida, para engordar uma claque a presidente em qualquer reduto onde ela aparea, deveria perceber o tamanho da onda contrria a seus abusos e aceitar o jogo democrtico da liberdade de expresso dos que no concordam com o rumo tomado.  

